A moda é fazer filme sério ou "Tom, o que você acha de viver Christiane F?"
Você já leu milhares de vezes um blablá sobre como o Oscar deste ano está diferente: sim, a atenção nos efeitos especiais no anel de Frodo diminuiu, e, embora King Kong tenha deixado todo mundo passado com aquela textura fofinha e o olhar cálido, tudo contrastando enormemente com músculos cheios de pixels (parecia o prato que serviram no refeitório dia desses: músculos ao molho rosé), parece que a moda agora é ser adulto. Claro que isso foi bom, fazia tempo que eu não ia ao cinema com tanta frequencia: vi o filme que não ousa dizer o nome (aquele, dos caubóis), Good night, and good look (bom demais), Johnny e June, Match Point (esse é foda, Wood Allen sem gracinhas, dois pés da caixa dos peitos). Mas tem uma coisa que teima vir à minha cabeça toda vez que leio mais uma matéria congratulando a indústria: bem, se todo mundo resolveu de repente fazer filmes sem explosões e efeitos especiais saídos da última feira de tecnologia no Vale do Silicone, isso significa alguma coisa. Se a Warner independente (é Warner mesmo? Ih, tô com preguiça de procurar) tem um braço destinado a produzir filmes autorais (e fez Good night), é pq a coisa é extremamente rentável e satisfatória - ou, na linguagem nojenta dos marqueteiros, "agrega valor ao produto". Ninguém dá ponto sem nó. E eu quero só ver esse Oscar cheio de discursos humanistas e políticos, com todos apertando as mãos e batendo palminhas nas costas. Brad Pitt já anunciou que quer fazer um gay no seu próximo filme. Charlize Theron e Kate Moss deverão fazer lésbicas no próximo de Ang Lee (Ang, que houve?). Só falta agora Tom Hanks ligar pra Spilberg e juntos os dois realizarem a versão 2006 de Christiane F, com Hanks no papel principal, chapada, drogadita e furada.
Por enquanto, eu vou torcendo pelos meus queridos Ennis e Jack, que ganharam versões fofas by um fã do Lego...

Eles não são lindos?
Escrito por Fermina Daza às 09h58
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