La ropa de las chicas malas

Maria, 47 anos: "só vou pra Colcci quando meu contrato com a Daspu acabar"
Cobrir o desfile da Daspu foi uma das coisas mais legais que fiz nos últimos tempos. Melhor: eu dei o grande lavra do MAM, onde rolava o Fashion Rio e todas as pessoas estavam histéricas por causa da Gisele. Ela é uma fofa, mas, faz favor, ninguém merece a Colcci. Parti pra o centrão (eu adoro o centro do Rio, adoro) e cheguei lá na rua onde rolava um sambão e o povo bebia cerveja em pé. Achei um negócio muito besta a coisa mais fofa do mundo: na placa do bar Riquinha, tinha escrito assim: "nossos salgados são os melhores: coxinhas, cachorro-quente e demais sanduíches". E o bar com aquela cara de pé sujo no último grau... Como as prostitutas-modelo estavam se arrumando no motel em que elas fazem programa, eu ia procurando uma e outra pelos corredores. Aí uma dizia: "Ah, a fulana deve tá lá na suíte D, vai lá". Eu entrei em todo canto, fiquei no backstage vendo todo mundo trocar de roupa, um festival de peito mole e meia-arrastão. E a gente fazia a entrevista deitado na cama, no meio de uma porrada de camiseta da Daspu (claro q eu comprei a minha!). Aliás, a compra dessa blusinha foi um drama: não tinha mais nenhuma, voou tudo logo. Eu, Adelia, Maristela e Felipe, que estávamos juntos, saímos a cata,mas nada. Lá pelas tantas, a esperança já tinha ido pelo ralo, eu tiro uma onda light com o dono do puteiro: "poxa, não sobrou uma camiseta pra gente...". Aí ele deve ter se condoído do meu sotaque de povo sofrido que vive na seca à base de rapadura. Abriu uma sacola enorme e foi tirando um monte de camiseta preta. "Olha, não mostra a ninguem, sobraram essas que uma moça tinha encomendado...". Eu avancei, comprei uma G mesmo (vai no customize). Feliz da vida, saí achando o dono do puteiro um homem delicadíssimo, preocupado com os chiliques fashion de garotas com os neurônios dormentes depois de cobrir uma semana de moda e ouvir constantemente a palavra "tendência". Ou ler releases completamente freaks. O melhor mesmo era que, na Rua Imperatriz Leopoldina, onde rolava o babado, a gente não precisava fazer carão (eu já tenho carão, carão de bolachão, por isso nem faço). E eu peruei muito com Beth Lago, e ela deu um fora ótimo numa jornalista narizinho empinado. Eu adorei!! a gata perguntou a idade dela, que virou a cara, naturalmente. "Ah, Beth, faz favor!!". "Faz favor você, minha filha!! perguntar idade!!". Ah, ah, ah, se fudeu!!!
Agora, uma breve lista dos momentinhos ótimos proporcionados pela cidade pão de açúcar:
- aluguei bicicleta e ia do Leme até Ipanema só na brisa... delícia. Atropelei um velhinho (sério), mas acho q ficou tudo bem. - a padaria atrás do hotel, onde eu precisei repetir umas cinco vezes que queria uma media até o rapaz entender. Era pra eu dizer "uma méééééédia". Suco de laranja com cenoura muito vanta. - o pastel de bacalhau da taberna do juca, na Lapa. Pra se lascar. - ler todo o livro de Danuza enquanto esperava os desfiles começarem. Impressionante uma pessoa ser descoberta por Diana Vreeland (entidade da Vogue, já mortinha da silva) numa piscina do Copa... - tomar chope com Phelipe (é assim) na Taberna Atlantica com ventinho no cabelo e cansaço nos pés. - E, claro, a canja do hotel (eu sempre peço uma canja no hotel quando chego muito cansada, e a de lá era vanta too).
E viva a Daspu!
Escrito por Fermina Daza às 22h09
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