Courtney, uma novela
Tudo começou com aquela chupeta dada de presente pelo melhor amigo da mãe de Courtney, Timothy Leary, que tentava adentrar o mundo das comidinhas para bebê com uma receita meio fusion, meio nouvelle cuisine, de papinha de abobrinha com ervas finas puxadas no LSD...

"Ué, pq Babá Zefa tem esses chifres tão grandes?"
...Mas, apesar de sua cabecinha loura ter sido precocemente apresentada ao mundo do ácido e drogas mais pesadas como o Neston, a menina Courtney crescia feliz e orgulhosa de seus longos e doirados cabelos...
 "Meu maior sonho é encontrar um rapaz de cabelos loiros e sedosos como o meu! Espero que ele também goste de vodca no maltado!"
Courtney, no entanto, não esperava que, influenciada pela última Vogue Itália, sua mãe, além de fashion addict também fashion victim, cortasse suas madeixas e lhe comprasse um par de óculos. "Susan Sontag vem aqui amanhã e eu não vou pagar o mico de ter uma loira burra em casa, Courtney! Chega de ser linda! Você agora vai ter ar de intelectual!" Durante a briga, com os cabelos já cortados, o bebê Courtney tomou a tesoura da mãe e lhe golpeou uma vez na coxa. Foi mandada para uma prisão mista onde sua única distração era jogar sinuca com os amigos do Public Enemy.

"Saco. Lá em casa ao menos rolava Absolut. Aqui no máximo consigo uma lapada de Natasha"
Depois de passar 14 anos no reformatório, Courtney finalmente deu o lavrão. A primeira coisa que ela, agora uma moça, arrumou pra fazer foi ir até o bar e ligar pra suas amigas Patyneide, Fabricia, Danadila e Deblona. "Acabo de comprar uma tinta ótima, Galego Dourado Claro Profundo n.59. Vocês topam dividir comigo? Bebi um pouco e é bem legal!!!" Duas delas toparam. Outras duas, Fab e Patyneide, preferiram beber toda a tinta e não sobrou nada pro cabelo. Fab ficou puta, mas Paty se divertiu horrores.

"Meninas, tenho uma idéia ótema", disse Courtney. "Vamos na casa dos meus amigos do Public e mostrar os peitos!!!". Só ela foi.
Cercada por sete negões do Brooklyn, entre eles the Big Keops, Courtney começou a barbarizar. Em sua cabecinha transtornada, imagens de sua mãe, tesouras, lindos cabelos dourados no chão, uma garrafa vazia e papinhas de cenoura borbulhantes. Até que, enquanto fazia mais um strip pra galera, Courtney o viu. Ficou passada com aquele cabelo tão fininho ao vento. Na época, ele entregava pizza e havia sido chamado pra trazer uma super tudo com catupiry na borda. "Fica aí, cara", disse Big K. "Só se rolar maltado com vodca", respondeu o loirinho de voz rouca.

"Meu Deus!! É ele! Finalmente alguém para dividir meus sonhos mais íntimos..."
Amostrada que só ela, Courtney saiu contando para todos que havia conseguido encontrar o bofe de sua vida (no íntimo, ela se sentia horrível por jamais ter recuperado sua cabeleira saudável)...

"A verdade é que meu bofe escândalo tá vendendo pra cacete e eu logo vou conseguir transplantar meus fios detonados por anos de colocaração Márcia, a única que tinha no reformatório. Vou ficar linda e botar pra fuder em vocês, suas aves de rapina nojentas!!!"
Courtney conseguiu. Deu um tapa no visu e glamourizou sua vida. Passaram-se anos dedicados a Valentino, Oscar de la Renta e Gucci. Maravilhado, seu marido, rock star e ex entregador de pizza, só não conseguia entender pq sua querida nunca ficava nuona na sua frente...

"Ah, como é bom estar linda!! As gafanhotas das minhas amigas se fuderam pq não foram pra festa dos negões comigo!!!!"
Num golpe do destino, a amostrada Courtney foi flagrada relaxando num bar sem sutiã. Ao ver a foto num jornal de fofocas chamado Alcione, seu rock star entendeu pq a sua querida não acendia a luz do quarto nem com reza braba. Ele ficou ainda mais puto pq seus dois amigos da banda passaram a tarde inteira tirando onda de sua cara.

"Aqui eu não preciso usar wonder bra, graças a Deus", pensava uma desavisada Courtney.
K. a largou. Não lhe interessava sair, no auge do sucesso, com uma baranga exibida. "Já aguento aquele cabelo uó, peito mole também é demais", disse ele a David, seu amigo e banda e fiador do apartamento nos tempos de pizza. Courtney pirou, quebrou tudo em casa, pegou sua chupeta e saiu pelas ruas com a vodca Natasha, que ela aprendeu a amar. Mesmo podre de rica, era sua bebida favorita. Foi presa tentando beber, no Pão de Açúcar da Rosa e Silva, a mais nova coloração da Imedia, Louro Galego Profundo Desta Vez Ainda Mais Claro.

"Você chama isso de droga, seu juiz!! Droga é essa tinta que Edelson botou no meu cabelo!!"
Liberada após pagar uma pequena multa, Courtney resolveu dar a volta por cima. Formou uma banda e esqueceu K. Fez sucesso mas, ainda sim, nunca superou aquela montagem barata que a imprensa, ofendida por ter sido chamada de ave de rapina, fez de seus gloriosos seios. Por conta disso, desenvolveu a desagradavel mania de pagar peitinho onde quer que seu show passasse...

"Vejam, Gravatá! Vejam o que Deus me deu e o aquele jornal uó Alcione quis me tirar!!!" (Courtney não lembrava, mas o show era em Surubim...)
FIM
...Esse post nasceu a partir dessa notícia incrível (que eu havia colocado nesse blog logo cedo). Fiquei impressionada com a precocidade da menina Courtney. Pessoa ótima, como diria Patyneide...
Escrito por Fermina Daza às 13h35
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