Um transatlântico pode mudar a sua perspectiva de vida

(Essa é a Chaplin Bay, lindona. Prometo q depois coloco uma foto minha no mesmo local. Agora nao dá, tô operada)
Nega como nunca, pós-Bermuda, pós semana difícil, pós mudanças profissionais, pós atitude de namorado incrível q decidiu levar este computador para o pai de santo, finalmente tenho condições de fazer um post para esse cafofo. Volto com um sentimento forte de mudança no meu peito (ui!), provocado principalmente pelas longas horas que fui obrigada a passar nas espreguiçadeiras do deck 12 (o quiet place) do transatlantico Horizon. Refleti muito enquanto observava o incrível mar azul, ouvindo Bowie, enquanto os garçons iam passando e oferecendo toalhas geladinhas e biritinhas pra gente se refrescar. Refleti muito enquanto tomei uma simples Heineken a quase 20 reais. Tive momentos de horror, também. Os americanos, enormes, agarrados com grapefruit e hamburgueres, tacos, pizzas, limonadas, cachorro-quente, uma papa de cereal medonha, caixinhas de low fat milk totalmente hipócritas. Muita gordura sendo consumida sob um sol de lascar. Mas o filme de horror (sob uma perspectiva antropologica-sociologica-cultural sobre os hábitos alimentares e o comportamento do povo mais tabacudo do mundo) teve parte dois, é claro. Saindo da Philadelphia (negonas incríveis, incríveis!!), pego um vôo para Atlanta lotado de torcedores dos Eagles, que até então era o nome de uma banda de um sucesso só para mim. O time de Phili (eles chamam assim a cidade) ia jogar em Atlanta, e para lá seguiram, num avião de médio porte, uns 25 barulhentos e incrivelmente idiotas torcedores que se esmeraram em gritar loucamente (E.A.G.L.E.S.!!!!!!!!). Eu sentada na janelinha do avião, totalmente cercada pelos cafuçus norte-americanos, uma cara feia da porra, pensando em como um povo tão abestalhado conseguiu se dar tão bem...

Esse look é praticamente um Apocalipse fashion
Também é um choque, esse fashion, ver a roupa que os caras que trabalham nos escritórios de Hamilton, a capital das Bermudas, usam no dia-a-dia. Camisa social, gravata, meia fina, sapatos lustrados e... bermudas. É o uniforme do inferno, feio pra cacete, mas é a coisa mais normal por lá. E tem muito negão na ilha (que é distrito inglês), um bocado de rastafari usando essa roupinha ridícula e com modos vindos da terra da rainha. O povo só ouve Bob Marley, usa carrão, cidade limpinha, mar ótimo e a ameaça constante de tempestas tropicais. E aí entro eu. Eu e Ophelia, o furacão Jorge Ben, que sempre estava chegando mas ninguém viu. Em vez de passar dois dias em Hamilton, acabamos ficando apenas um e meio, tudo porque Ophelia, hurricane uó, estava lambendo a ilha e o capitão do navio decidiu dar ré. Não estava muito preocupada com a furacoa, eu não faço chapinha do cabelo nem tinha dado escova, por mim ficava mais naquela ilha ótima e com praias que lembram nossa querida Noronha. Mas voltamos. E foram dois dias de volta, submersa na contemplação deitada na espreguiçadeira. E foram mais de trinta horas voltando para casa. E, chegando em casa, fui percebendo que ser paparicada de quando em vez faz um bem danado pra gente. Seja com toalhinhas geladinhas ou com o peixe que meu querido presidente me ofertou (sabia, é claro, que eu não aguentava mais ver um sanduíche na minha frente).
Sem mais para o momento, operadíssima, vou fechando com Bowie (que acabo de rever como o juiz ótimo de Zoolander). Uma canção para celebrar as boas mudanças da minha vida...
Changes
I still don't know what I was waiting for And my time was running wild A million dead-end streets Every time I thought I'd got it made It seemed the taste was not so sweet So I turned myself to face me But I've never caught a glimpse Of how the others must see the faker I'm much too fast to take that test
Ch-ch-ch-ch-Changes (Turn and face the strain) Ch-ch-Changes Don't want to be a richer man Ch-ch-ch-ch-Changes (Turn and face the strain) Ch-ch-ChangesChanges

"Desqualificado!!", diz Bowie para as pessoas trevas
Escrito por Fermina Daza às 17h26
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