Adorada Guadalupe, Lady Stardust


Para Luiz

Sangue e areia

Retrato de Andaluzia

Estatura pequena e nítida  
das cidades de onde ela era:
 
daquele justo para o abraço
 
que é de Cádiz, onde nascera,
 
e de Sevilha, onde vivia
 
e se dizia, mas não era:
 
cidades que ainda se podem
 
abraçar de uma vez, completas,
 
e que dão certo estar-se dentro,
 
àquele que as habita ou versa,
 
a entrega inteira, feminina,
 
e sensual ou sexual, de sesta.
  

(João Cabral de Melo Neto. Museu de Tudo, 1966/1974)  



Escrito por Fermina Daza às 19h09
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TPM

Não confio em:

Mulheres que usam salto anabela
Mulheres que usam calça colada com o buchón
de fora
Mulheres que usam blusa apertada de helanca
(a malha não absorve o suor, e não há desodorante que dê jeito)
Mulheres que usam tudo isso junto. Encontrando, mate.
Mulheres que compram suas roupas em lojas como Tribos e Toli.
Mulheres que se acham fodonas demais e esquecem que são mulheres. Como se ser mulher e ser fodona não fosse possível.
Mulheres que se deslumbram com babaquices travestidas de intelectualidade.
Mulheres na TPM.
Mulheres que usam salto anabela.


Também não confio em:

Homens que só conhecem um tipo de ponto G: o do Google.
Homens que acreditam ter o pau cravejado de rubis. Corra: no máximo, o produto é by Aliada Jóias. Ou Michelin.
Homens que acreditam que encher o cu de cachaça é a coisa mais macha do mundo. Já enfiam não só a cachaça, mas a garrafa também.
Homens que falam demais. Aliás, desconfie de alguém que fale demais.
Pra mim, esses homens usam salto anabela.
 



Escrito por Fermina Daza às 18h36
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Fatales, sempre fatales

Cansei de ser sexy



A foto que me deu meda, Zeta-teta e Reneé fofa-sexy. Aguilera passando pelo que Madonna já passou e Luma, a Dama da Lotação por excelência

Assim como Jorge Ben, eu torço pelas moças bonitas. Acho Juliana Paes gostosona. Entendo quando os homens babam pela Viviane Araújo. Mas hoje eu vi uma foto de Angelina Jolie que me deu medo. A menina tá tão sexy, mas tão sexy, que eu, homem fosse, ia ter medo que ela arrancasse o garotão (ou garotinho, não sei que tipo de homem Deus me faria) numa dentada só. E aí eu fiquei pensando: porra, toda vez que eu vejo Jolie ela tá assim. Será que não cansa não? Aí eu me lembrei de outras moças que também sempre aparecem na mídia exalando sensualidade, boca semi-abera, olhos semi-cerrados, cara de vem cá meu bem. Catherine Zeta-Jones é a vice-campeã. A mulher bonitona do tarado Michael, após superar a fase Dona Jura "It's not a toy not", voltou mais fatale do que nunca. Reparem. Já Christina Aguilera cismou de fazer o papel de super-safada depois que todo mundo entendeu que a música dela é uma droga. Fico imaginando se ela conhecesse a Carla Perez, que já pintou e bordou com uma garrafa.... ah, Christina.... silly girl. Reneé Zellweger, a Miss Pig que faz regime, também gosta de fazer biquinho e apertar mais os olhinhos quando vê um fotógrafo. Ao contrário de Aguilera, porém, ela faz a sexy fofa, acessível, do bem. Fiquei pensando nas sexies nacionais e me veio, claro, Luma. Tava na casa de Pat e Bosco, folheando uma revista, quando aparece uma entrevista da moça em sua própria casa, no Rio. O traje? Um vestidinho vermelho, juuuuuuusto, com uma fenda até o meio das coxas, os seios saltando. Aí Pat, com um abuso incontido diz: "Ah, não, Luma, pelo amor de Deus, relaxa!!!! Alguém ensine a essa mulher o que é uma camiseta branca de uma calça jeans, façam o favor!!!". Adorei.



Escrito por Fermina Daza às 14h40
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Uma pérola



A fofa Scarlett, no filme, e o quadro lindo de Vermeer

Só hoje é que tive oportunidade de ver Girl with a Pearl Earring, filme bem legal que mostra a história do quadro homônimo pintado na Holanda, em 1665. Engraçado como se pode construir situações totalmente eróticas com tanta roupa. Scarlett Johansson é fofa e ótima, adoro. E ainda tem Colin Firth, pra mulherada se animar. Muito legal.




Escrito por Fermina Daza às 22h42
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Drops

Odisséia entre quatro paredes



eu também mereço ir descansar na Ilha de Caras!!!!

Depois de um mês trancafiada num quarto, tendo como principal companhia uma palmeira e trezentas cópias piratas de livros, eu finalmente terminei de escrever a dissertação. Terminei, terminei, terminei. Depois de muitas Caras, muita Eliana e seu casamento, muita Adriane Galisteu falsamente flagrada, muita matéria jabaculê... eu terminei. Depois de enlouquecer meu filho e meu namorado, depois de espantar Irene, que trabalha aqui (faz uma semana que ela não aparece), depois de infernizar meus amigos com a frase "não posso ir. tô estudando", eu terminei. Terminei, terminei, terminei e até o sanduíche-iche...eu terminei esse danado desse trabalho. Depois de 30 dias de férias em frente a um computador, num calor de lascar e escrevendo coisas do tipo "Esse produto está inserido em meio a uma crise dialética do paradigma do jornalismo atual, que questiona se nossas notícias estão sendo produtos de uma pós-realidade" (...), eu terminei esta porrinha. Pós-realidade. Paradigma. Pseudo-evento. E meu ovo explode em mil estilhaços cintilantes. Eu terminei esse troço e volto a trabalhar sexta, mas eu terminei. Eu terminei. E, graças a Deus, voltou a chover. Graças a Deus. Eu terminei. Agora, só falta arrumar 1 milhão de dólares para pagar as 10 impressões, fazer um power point (fudeu), segurar a onda na hora da banca (pq a gente sempre leva umas porradas). E, o mais importante de tudo, pensar com que roupa eu vou fazer a minha defesa. Só de sacanagem, já que o trabalho usa a Caras, eu vou vestida com uma camiseta da revista Quem. 



Escrito por Fermina Daza às 15h17
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Da série "músicas que me fazem feliz e me dão vontade de gritar"



Um dia Deus olhou pra esse cara e disse: "Vai, David. Vai ser Bowie na vida...". E ele disse: "Só se eu puder mudar a cor do meu cabelo..."

Bowie at the Beeb é uma das melhores aquisições musicais que fiz nos últimos tempos. O CD duplo que reúne gravações realizadas na BBC londrina entre 68 e 72 contém grande parte das músicas da época mais incrível do cantor alienígena. Algumas, sem dúvida, maravilhosas e lindas de doer. Uma delas é In the Heat of the Morning, que apropriadamente abre o CD 1. Toda vez que a escuto tenho vontade de entrar na música (sem nenhum componente lisérgico na cabeça, diga-se de passagem) e gritar. Pq essa música é foda. Sim, ela tem uma letra homo e coisa e tal, mas isso não é nada frente ao poderoso arranjo - que tem até um órgão que lembra Roberto Carlos!! - e a forma absurdamente emocional com que ele canta a música. Estava apaixonado, sem dúvida. O melhor é que esse troço fabuloso caiu na minha mão - e no meu cartão de crédito - por mero acaso: entro na nova FNAC de São Paulo, na Avenida Paulista, no propósito de comprar um CD que havia perdido há tempos (Secos e Molhados) e dar um presentinho para a minha querida amiga Dani Lacerda. Aí acabo na sessão pop-rock internacional... vários discos de Bowie... e At the Beeb está lá. É um desses discos que não adianta baixar: tem que ter o original. Ficar endividado, matar a irmã no grito ou dançar a Macarena são coisas que valem a pena se o troço fabuloso estiver em jogo. Porque, além de In the Heat of the Morning, ainda tem Moonage Daydream (também dá vontade de gritar, é uma música do caralho), Bombers, Five Years, Lady Stardust e a linda, gloriosa, única e insuperável Space Oddity (que vai render post só pra ela futuramente). Mike Ronson, guitarrista-caso sério de Bowie, é um show a parte. Enfim, um disco para chamar de seu. É amor. No mais, parabéns a Jean. A moda agora vai ser caetanear. Que meda.

In the heat of the morning

The blazing sunset in your eyes will tantalize
Every man who looks your way
I watched them sink before your gaze
Señorita sway
Dance with me before their frozen eyes
I'm so much in love
Like a little soldier catching butterflies

No man loved like I love you
Wouldn't you like to love me too
In the heat of the morning
In the shadow I'll clip your wings
And I'll tell you I love you
In the heat of the morning

I'll tie a knot in rainbow's end, organise the breeze
Light my candle from the sun
I'll give you daylight for a friend
I'll do all of these
I'll prove that it can be done, oh, I'm so much in love
Like the ragged boy who races with the wind

In the heat of the morning
In the shadow I'll clip your wings
And I'll tell you I love you
In the heat of the morning

Oh yeah, all day, all the way



Escrito por Fermina Daza às 23h40
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Quem nunca farofou, que atire a primeira pedra

For tryin to be your laaadddy...


A banda e sua vocalista cachorrona do funk. E uma farofinha, que de vez em quando não mata ninguém

 

Perdoe, pai, porque eu pequei. E o nome desse pecado chama-se Shut Up, música-farofa da banda não menos farofa Black Eyed Peas. A verdade é que eu danço essa música loucamente toda vez que a escuto (e dublo: "We try to take it slow/But we're still losin control/And we try to make it work/But it still isn't the worst/And I'm craaazzzy/For tryin to be your laadddy/I think I'm goin crazy"). Não sei exatamente o que me atrai nessa farofa, mas talvez seja o fato de ouvir um barraco à moda black norte-americana entre um rapper metido a fodão e a cachorrona, que manda o cara calar a boca enquanto ele lhe dá um fora ("Bullshit!!!"). Aí ela grita, e dá outro fora, ele vem com outro... enfim, a música é um cortiço. No aniversário de Phelipe, lá no Classic Rose, um dos lugares mais rock’n’roll que eu já fui (e o presidente Lula não me deixa mentir), começou a tocar a música e eu corri pro meio do bar pra dançar com um monte de rapazes que gritavam “arrasa, bicha!!!”. Ouvi coisas como "a sua blusa é tuuuuuudo!!!" e outras pérolas do glitter'n'roll. Mas nem só de barraco vive o mundo Shut Up não, mizinfrim. Eu também tive um momento de puro glamour com esse pancadão de academia: estava numa boate cheia, mas com a pista vazia, lá em Montreal, Canadá (onde eu tive que pagar 15 reais por uma cerveja long neck), quando começou o “shut up, shut up, just shut up....”. Eu gritei e corri com um amigo meu pro meio do salão, esquecendo na hora o preço da cerveja. Só digo uma coisa: a pista encheu poucos segundos depois e o povo dançou até o amanhecer. Arrasei, bicha.



Escrito por Fermina Daza às 11h37
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